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Esse blog foi criado com a intenção de ampliar o diálogo entre o pessoal do Poesia na Praça e aqueles que gostaram da ideia.

Muitas vezes, nos rápidos encontros que temos com nossos interlocutores, ficamos com a sensação de que seria muito bom continuar a conversa. Então criamos esse espaço, na esperança de que essa também seja a sensação de quem ficou com o poema nas mãos e a lembrança desse encontro.

Sem contar que aqui poderemos apresentar um material mais rico e interessante. Se você chegou até aqui, esperamos que volte muitas outras vezes.

domingo, 7 de agosto de 2011

Versos Íntimos

Augusto dos Anjos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável  
Enterro de tua última quimera.  
Somente a Ingratidão - esta pantera -   
Foi tua companheira inseparável! 


Acostuma-te à lama que te espera!  
O Homem, que, nesta terra miserável,  
Mora, entre feras, sente inevitável  
Necessidade de também ser fera. 


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!  
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,  
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,  
Apedreja essa mão vil que te afaga,  
Escarra nessa boca que te beija!

Ler Augusto dos Anjos é como tomar um soco. Fica uma impressão atordoante que não pode ser apagada dos olhos de quem lê. O estilo ousado e vertiginoso causou espanto e reações controversas entre leitores e escritores brasileiros do início do século passado. Em 1912 ele lançou seu único livro, intitulado Eu. De início acusavam-no de ser presunçoso, por causa do título. Alguns julgavam seus sonetos incoerentes e pouco originais. Crítica injusta, já que justamente a originalidade do autor foi o que o fez tão copiado e seu livro um dos mais editados no Brasil do século XX. Nascido na Paraíba, filho de senhores da cana-de-açúcar, viu a ruína financeira da família, o que provavelmente contribuiu para que desenvolvesse uma fixação mórbida pela condição humana naquilo que ela tem de finita, de perecível. Morreu aos 30 anos, vítima de pneumonia, em Leopoldina/MG.

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