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| Vinicius de Moraes |
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinicius de Moraes, o nosso “poeta da paixão”, exercitou como ninguém a arte de se apaixonar. Casou-se nada menos do que nove vezes. Certamente amava o sabor da conquista e de um romance inédito. E resignadamente aceitava a dor do rompimento, como consequência inevitável, como a outra face da moeda.
Soneto de Separação claramente não se refere exclusivamente à separação amorosa. A separação aqui é genérica. E melancólica! Foi escrito em 1938, a bordo de um navio que o levaria à Inglaterra, onde estudou língua e literatura inglesas na universidade de Oxford. Ao lado de Soneto de Fidelidade, é um de seus poemas mais conhecidos.

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