Seja bem-vindo(a)

Esse blog foi criado com a intenção de ampliar o diálogo entre o pessoal do Poesia na Praça e aqueles que gostaram da ideia.

Muitas vezes, nos rápidos encontros que temos com nossos interlocutores, ficamos com a sensação de que seria muito bom continuar a conversa. Então criamos esse espaço, na esperança de que essa também seja a sensação de quem ficou com o poema nas mãos e a lembrança desse encontro.

Sem contar que aqui poderemos apresentar um material mais rico e interessante. Se você chegou até aqui, esperamos que volte muitas outras vezes.

domingo, 7 de agosto de 2011

Uma Temporada no Inferno

Arthur Rimbaud
     Antes, se lembro bem, minha vida era um festim em que se abriam todos os corações, todos os vinhos corriam.
     Uma noite, fiz a Beleza sentar no meu colo. E achei amarga. Injuriei.
     Me preveni contra a justiça.
     Fugi. Ó bruxas, ó miséria, ó ódio, a vós meu tesouro foi entregue!
     Consegui fazer desaparecer no meu espírito toda a esperança humana. Para extirpar qualquer alegria dava o salto mudo do animal feroz.
     Chamei o pelotão para, morrendo, morder a coronha dos fuzis. 
Chamei os torturadores para me afogarem com areia, sangue. A desgraça foi meu Deus. Me estendi na lama. Fui me secar no ar do crime. Preguei peças à loucura.
     E a primavera me trouxe o riso horrível do idiota.
     Ora, ultimamente, chegando ao ponto de soltar o último basta!, pensei em buscar a chave do antigo festim, que talvez me devolvesse o apetite dele.
     A caridade é a chave.  Inspiração que prova que eu estava sonhando!
     “Continuarás hiena, etc...”, repete o demônio que me orna de amáveis flores de ópio. “A morte virá com todos os seus desejos, e o teu egoísmo e todos os pecados capitais.”
     Ah! Pequei demais: - Mas, caro Satã, por favor, um cenho menos carregado! E esperando algumas pequenas covardias em atraso, como aprecia no escritor a falta de faculdades descritivas e instrutivas, lhe destaco estas assustadoras páginas do meu bloco de condenado eterno.

Rimbaud (pronucia-se “Ramboud”) teve uma vida tão pouco convencional que, para melhor apreciar o que escreveu, é bom saber alguns detalhes de como viveu. Aos 13 anos já tinha recebido prêmios por seus escritos em latim. Aos 17 acaba com o casamento de um dos maiores poetas franceses de seu tempo, Paul Verlaine, que abandona a família para viver um romance com Rimbaud pela Europa afora, tomando absinto e fumando haxixe. Separam-se. Verlaine atira em Rimbaud e vai preso. Rimbaud escreve suas maiores obras: “Uma Temporada no Inferno” e “Iluminações”. Após isso, aos 20 anos, abandona deliberadamente a poesia para se tornar traficante de armas e mercenário. Morreu aos 37 anos, vítima de um câncer no joelho.

Rimbaud continua a ser influência marcante na literatura universal. Não à toa mereceu de Vinicius de Moraes a lacônica observação: “[Ele] foi o maior de todos”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário