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Esse blog foi criado com a intenção de ampliar o diálogo entre o pessoal do Poesia na Praça e aqueles que gostaram da ideia.

Muitas vezes, nos rápidos encontros que temos com nossos interlocutores, ficamos com a sensação de que seria muito bom continuar a conversa. Então criamos esse espaço, na esperança de que essa também seja a sensação de quem ficou com o poema nas mãos e a lembrança desse encontro.

Sem contar que aqui poderemos apresentar um material mais rico e interessante. Se você chegou até aqui, esperamos que volte muitas outras vezes.

sábado, 9 de julho de 2011

Esquadros

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores!
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus...
Eu ando pelo mundo divertindo gente chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...
Pela janela do quarto
Adriana Calcanhoto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Transito entre dois lados
De um lado eu gosto de opostos
Exponho o meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...

Adriana Calcanhoto faz parte de uma recente geração de artistas que oxigenou a MPB, misturando um leque amplo de influências em um som moderno e arrojado. A canção Esquadros revela também uma compositora de olhar agudo, que observa a metrópole com o espanto e o lirismo próprios de pensadores e poetas. Com ela, Adriana nos coloca ora de um lado da janela, ora do outro, para nos mostrar um insólito cotidiano ao qual já nos acostumamos.

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