quem ficará quem foi
ê bumba iê iê
eu também já fui boi
A lua clareou no terreiro
berreiro eu parei pra escutar
e abri a janela do mundo
eu ria na noite vazia
eu via mas crer eu não cria
um saco de vento fechado
e o tempo parado no fundo
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| Zeca Baleiro |
zoada eu cansei de escutar
cinema onde a luz não se esconde
quem sabe o olho acusa
e a blusa da musa me veste
amor palavra sem uso
vacina da peste
“...Eu só faço música por causa da poesia”. Palavras de Zeca Baleiro que estão na apresentação de seu terceiro álbum, batizado de Líricas. E nem precisava dizer! Cada canção do cd demonstra a íntima ligação entre a arte do compositor maranhense e a poesia. Na versão de estúdio Zeca recita um trecho de Poema Sujo, obra de outro maranhense, o poeta Ferreira Gullar.
Ê boi é a sexta faixa do álbum. Com sonoridade e vocabulário regionais, é ao mesmo tempo moderna. Com uma narrativa sinuosa, visita imagens popularmente associadas ao sertão nordestino para falar de saudade e de outros sentimentos absolutamente universais, para os quais sequer temos nomes. Uma canção que talvez remeta a Guimarães Rosa: “O sertão é o mundo”.

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