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Esse blog foi criado com a intenção de ampliar o diálogo entre o pessoal do Poesia na Praça e aqueles que gostaram da ideia.

Muitas vezes, nos rápidos encontros que temos com nossos interlocutores, ficamos com a sensação de que seria muito bom continuar a conversa. Então criamos esse espaço, na esperança de que essa também seja a sensação de quem ficou com o poema nas mãos e a lembrança desse encontro.

Sem contar que aqui poderemos apresentar um material mais rico e interessante. Se você chegou até aqui, esperamos que volte muitas outras vezes.

sábado, 9 de julho de 2011

Ê boi

ê boi ê boi ê boi
quem ficará quem foi
ê bumba iê iê
eu também já fui boi
A lua clareou no terreiro
berreiro eu parei pra escutar
e abri a janela do mundo
eu ria na noite vazia
eu via mas crer eu não cria
um saco de vento fechado
e o tempo parado no fundo
Zeca Baleiro
 morena vem cantar a toada
zoada eu cansei de escutar
cinema onde a luz não se esconde
quem sabe o olho acusa
e a blusa da musa me veste
amor palavra sem uso
vacina da peste



...Eu só faço música por causa da poesia”. Palavras de Zeca Baleiro que estão na apresentação de seu terceiro álbum, batizado de Líricas. E nem precisava dizer! Cada canção do cd demonstra a íntima ligação entre a arte do compositor maranhense e a poesia. Na versão de estúdio Zeca recita um trecho de Poema Sujo, obra de outro maranhense, o poeta Ferreira Gullar.

Ê boi é a sexta faixa do álbum. Com sonoridade e vocabulário regionais, é ao mesmo tempo moderna. Com uma narrativa sinuosa, visita imagens popularmente associadas ao sertão nordestino para falar de saudade e de outros sentimentos absolutamente universais, para os quais sequer temos nomes. Uma canção que talvez remeta a Guimarães Rosa: “O sertão é o mundo”.

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