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Esse blog foi criado com a intenção de ampliar o diálogo entre o pessoal do Poesia na Praça e aqueles que gostaram da ideia.

Muitas vezes, nos rápidos encontros que temos com nossos interlocutores, ficamos com a sensação de que seria muito bom continuar a conversa. Então criamos esse espaço, na esperança de que essa também seja a sensação de quem ficou com o poema nas mãos e a lembrança desse encontro.

Sem contar que aqui poderemos apresentar um material mais rico e interessante. Se você chegou até aqui, esperamos que volte muitas outras vezes.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Soneto


Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.


É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.


É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.


Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luis Vaz de Camões

Camões, português que viveu entre 1524 e 1580, é um dos mais notáveis poetas da literatura universal. Afinal, quem conseguiria se manter tão vivo por praticamente 500 anos? O soneto aqui destacado é certamente um dos poemas mais conhecidos dentre os leitores de língua portuguesa.
Sua poesia é clássica, isto é, busca os ideais estéticos da tradição grega e romana. Para isso idealiza os homens, heróis desbravadores de mares como em  “Os Lusíadas”, sua principal obra. O amor é platônico, puro, sublime, elevado...

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